ArarA - entre Sentimentos e Palavras.

ARARA é uma aplicação de escrita criativa automatizada que integra Google Forms, Google Apps Script, Google Sheets, Google Docs e e-mail para transformar respostas estruturadas em documentos poéticos personalizados. No contexto do Laboratório Cordel 2.0, o app mostra que uma prática de escrita em ambiente educativo pode ganhar mediação pedagógica, rastreabilidade, devolutiva personalizada e baixo custo de implementação.

ARARA (Iniciação à Poética)

ARARA propõe uma experiência em que o preenchimento de um formulário deixa de ser apenas coleta de dados e se converte em matéria inicial para a criação literária. A partir de palavras, impressões e sentimentos compartilhados pelo participante, o sistema organiza elementos lexicais e devolve uma síntese pré-poética em formato de documento. O resultado não encerra a criação: ao contrário, abre uma primeira passagem para a escrita.

A força do app está em sua lógica de mediação por ressonância lexical. O sistema lê o que foi escrito, identifica campos de proximidade entre palavras e associa essas marcas a fragmentos poéticos de uma base de referência. Com isso, produz uma aproximação estética entre o que o estudante expressa e o que a linguagem literária pode devolver como eco, deslocamento ou provocação.

Do ponto de vista pedagógico, o ARARA trabalha um objetivo central: dizer um sentimento sem nomeá-lo de forma direta. Para isso, organiza substantivos, adjetivos, ambiências e relações lexicais que ajudam o participante a experimentar a linguagem como construção expressiva. Ao mesmo tempo, introduz uma reflexão sobre semântica, associação de sentido e coincidências pragmáticas entre a escrita do aluno e fragmentos da poesia brasileira.

ARARA é um aplicativo de escrita criativa do Laboratório Cordel 2.0 que utiliza heurísticas de Inteligência Artificial para transformar substantivos, adjetivos e ambientes cotidianos em versos autorais personalizados. (não opera estocasticamente)

Este sistema de mediação poética mostra na prática, como uma arquitetura simples pode produzir experiência educativa significativa. A partir de um formulário, o app organiza sentimentos, substantivos, adjetivos e ambientes em uma estrutura pré-poética, devolvendo ao participante um documento autoral em PDF. Para quem é da informática, o valor pedagógico está em perceber que backend, automação documental e tratamento lexical não servem apenas para eficiência: podem sustentar processos de subjetivação, expressão e letramento estético. Em outras palavras, o ARARA ensina que programar também é desenhar condições para que alguém pense, sinta e escreva melhor.

Spoof - Uma máquina para romper.

Breakable Machine (Engenharia Reversa e eXplainable AI - XAI) Este é um sistema de visão computacional que roda localmente no navegador. Seu objetivo é explorar a vulnerabilidade de classificadores (spoofing) e evidenciar o Letramento Crítico / Fragilidade do modelo.

O aplicativo utiliza mapas de calor (heatmaps) de eXplainable AI (XAI) para destacar quais features (características da imagem) estão influenciando o output da rede neural. Isso demonstra tecnicamente como ruídos de fundo ou iluminação afetam o cálculo de confiança (confidence) do classificador.

Desafiando a Visão Computacional com "Breakable Machine"

"Você consegue enganar uma Inteligência Artificial?"

Experimente porque os sistemas de IA não são perfeitos e dependem fortemente dos dados com os quais foram treinados.

Breakable Machine (Máquina rompível) Em vez de ensinar os alunos a treinar uma IA, este jogo pede que eles a "romper". Trabalhando o Letramento Crítico / Fragilidade, os estudantes descobrem que a visão computacional pode ser facilmente enganada por mudanças de luz ou cenário. O jogo revela que a alta confiança de uma máquina não significa que ela está certa, promovendo reflexões profundas sobre os riscos e implicações éticas da IA na sociedade.

De quem é a responsabilidade quando uma IA produz resultados indesejáveis ou perigosos? A IA é uma ferramenta poderosa, mas não é mágica. Ela tem limitações que precisam ser compreendidas por quem a desenvolve e por quem a utiliza.

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
— Paulo Freire

Copyright © 2025 Nicolas Pope.

N. Pope, J. Kahila, H. Vartiainen and M. Tedre, "Children's AI Design Platform for Making and Deploying ML-Driven Apps: Design, Testing, and Development," in IEEE Transactions on Learning Technologies, doi: 10.1109/TLT.2025.3529994

GenAI - Uma máquina aprendiz.

Teachable Machine (Máquina Ensinável) Esta ferramenta permite que os alunos criem seus próprios aplicativos de reconhecimento de imagem sem saber programar. O foco aqui é a Curadoria de Dados: os alunos percebem concretamente que a máquina não "entende" o mundo, ela apenas reflete os exemplos (dados) que os humanos fornecem. Fica claro que preconceitos ou erros de uma IA nascem de dados limitados, reforçando a responsabilidade humana no processo.

Teachable Machine (Machine Learning Supervisionado) Uma aplicação focada no fluxo completo de treinamento e deploy de IA. O sistema aborda a importância da Curadoria de Dados, permitindo que o usuário insira inputs, defina classes (labels) e treine um classificador de imagens no próprio browser. O processo explicita conceitos fundamentais de aprendizado supervisionado, probabilidade e como bias (viés) é introduzido no modelo dependendo do volume e qualidade do dataset utilizado para treinamento.

Copyright © 2025 Nicolas Pope.

N. Pope, J. Kahila, H. Vartiainen and M. Tedre, "Children's AI Design Platform for Making and Deploying ML-Driven Apps: Design, Testing, and Development," in IEEE Transactions on Learning Technologies, doi: 10.1109/TLT.2025.3529994

🌵 Inanna — Proto-IA Educativa.

A Inanna é uma proto-IA educativa do Laboratório Cordel 2.0 voltada à escrita criativa, à rima e ao letramento crítico em inteligência artificial. Embora não seja uma IA generativa propriamente dita, ela foi pensada para tornar visível um dos princípios centrais das IAs atuais: a tentativa de prever a próxima palavra com base em probabilidades, padrões linguísticos e relações entre termos.

Inanna (Proto-IA Educativa do Cordel 2.0)

Como homenagem à cultura nordestina — celeiro histórico de quadras, rimas e invenção popular — a Inanna convida o participante a construir versos e a experimentar, de modo guiado, a lógica preditiva que hoje sustenta parte importante das tecnologias de linguagem. Em vez de esconder o cálculo, o app transforma esse mecanismo em objeto de aprendizagem.

Ao escrever seus versos, o participante recebe sugestões prováveis de continuação, observa padrões de rima e compara a previsão algorítmica com a criação humana. Com isso, a Inanna ajuda a compreender que sistemas computacionais podem estimar combinações plausíveis, mas não esgotam a potência estética, simbólica e territorial da linguagem popular.

Inanna (Motor de Predição de Tokens e Fonética)

Tecnicamente, a Inanna funciona como um frontend em Vanilla JavaScript e CSS, conectado a um backend em Google Apps Script por chamadas de leitura e escrita. Seu motor de predição analisa pistas lexicais, tema, coerência e terminação fonética para sugerir palavras candidatas, apoiando a composição de quadras e a visualização de padrões de rima, como AABB e ABAB. Assim, a aplicação aproxima o universo da literatura popular do funcionamento elementar das arquiteturas preditivas contemporâneas.

Inanna é um laboratório em que a lógica computacional vira objeto de aprendizagem sensível.

Do ponto de vista pedagógico, a Inanna introduz de forma acessível conceitos como probabilidade, predição de tokens, vetores de escolha, heurísticas linguísticas e estrutura de rima. Ao sugerir palavras para completar um verso, o sistema mostra como a máquina opera por ranking de possibilidades, enquanto o sujeito pode aceitar, rejeitar ou superar a previsão com sua própria invenção.

IZA 0.2 - Chatbot reflexivo.

A IZA 0.2 é uma aplicação de escrita guiada do Laboratório Cordel 2.0 que acompanha o participante em uma jornada de reflexão, elaboração textual e autoria. Mais do que um chatbot, a IZA funciona como uma mediadora virtual: ela conduz o usuário por trilhas de escrita, acolhe diferentes modos de presença e, ao final do percurso, devolve uma síntese acompanhada de um presente literário — como poema, bênção ou fragmento textual em ressonância com aquilo que foi escrito.

Iza inspirada em Eliza e Sócrates

Tecnicamente, a IZA 0.2 é uma aplicação web serverless com frontend em HTML, CSS e JavaScript e backend em Google Apps Script. O sistema registra transcripts e etapas da experiência em Google Sheets, organiza trilhas e modos de presença e executa um mecanismo de associação lexical que compara o texto do participante com matrizes anotadas da base poética, incluindo campos como substantivos, verbos, bigramas e conjuntos de tokens. A aplicação também conta com fallbacks lógicos para manter consistência e continuidade mesmo quando não há correspondência forte no dataset.

IZA 0.2 se trata de uma interface de escrita guiada que mostra como o design conversacional pode ser usado para aprofundar reflexão, e não apenas para responder perguntas.

Inspirada, ao mesmo tempo, na tradição de ELIZA e na maiêutica socrática, a IZA foi concebida não para competir com a voz do participante, mas para favorecer um movimento de escuta, aprofundamento e organização do pensamento. Sua proposta é usar a tecnologia como forma de acolhimento textual, ajudando o sujeito a sustentar uma ideia, nomear um conflito, elaborar uma cena ou amadurecer uma frase.

Nesse sentido, a IZA transforma a conversa em processo de escrita. Em vez de responder apenas com informação pronta, ela conduz o participante por um fluxo reflexivo em que cada resposta ajuda a reorganizar a seguinte. O foco não está em acertar, vencer ou produzir desempenho, mas em experimentar a linguagem como espaço de elaboração.

O sistema de IZA valida identidade, oferece modos de presença, conduz trilhas de escrita, registra percurso e devolve uma síntese final com “presente literário”. Para um técnico em informática, o app demonstra que chatbot educacional não precisa ser um simulacro genérico de assistente: ele pode funcionar como dispositivo de mediação, escuta estruturada e organização do pensamento.

O ganho pedagógico está em transformar fluxo conversacional em processo de autoria.

“Escrever é, antes de tudo, dar voz àquilo que é silenciado, é um grito que sai de dentro e ecoa no mundo”

Conceição Evaristo in Entrevista à Focus Brasil (2025)

Jornadas do Território: O Jogo da Escrita Viva

Este jogo interativo transforma a escrita criativa em uma exploração geográfica e interior. Através de uma cuidadosa Mediação / Fluxo, o aluno não apenas escreve, mas navega por um mapa interativo com diferentes biomas, sendo guiado por 5 Missões Literárias progressivas. A jornada começa no aspecto pessoal ("Despertar da Vivência") e culmina na "Inscrição Territorial da Voz", onde o estudante mescla seus sentimentos com elementos locais.

A Curadoria de Dados deste projeto brilha na sua "Biblioteca de Cordel", que oferece contato direto com poemas tradicionais brasileiros, valorizando a cultura nacional. Em vez de focar no ganho e perda (competição), o jogo utiliza a Ressonância de um sistema de pontos construtivo, onde o aluno acumula "Vivência, Imaginação e Território", culminando na exportação de sua criação literária, o que tangibiliza o aprendizado e o esforço do autor.

Jornadas do Território (RPG Literário 2D) Trata-se de uma aplicação web construída com uma stack leve e direta: HTML5, CSS3 e JavaScript (Vanilla), utilizando estética retro pixel art. O Mediação / Fluxo do sistema é orquestrado por event listeners no JavaScript que capturam inputs físicos (setas do teclado) e virtuais (botões na tela e cliques em diálogos) para calcular a movimentação do usuário pelo mapa interativo.

A Curadoria de Dados (neste caso, as strings dos poemas de cordel e os textos das 5 missões temáticas) é estruturada no próprio frontend, alimentando os modais e bibliotecas do jogo. O sistema possui um gerenciamento de estado interno que rastreia três variáveis principais (pontos de Vivência, Imaginação e Território). A aplicação finaliza seu ciclo enviando o output do usuário (sua jornada/texto) por e-mail. Toda essa arquitetura client-side permite que o projeto educacional seja hospedado de forma rápida, gratuita e contínua através do GitHub Pages, rodando diretamente a partir da branch main.