Imagem de uma sala de aula com uma lousa de giz ao fundo, com o título 'Espaço do Educador Técnico Pedagógico' e desenhos relacionados à ciência e tecnologia. Quatro pessoas estão na frente: um homem idoso de cabelo branco e óculos, sorrindo e segurando um livro; uma mulher de cabelo grisalho e cabelos cacheados, sorrindo e segurando uma caneta e um caderno; uma mulher com cabelo cacheado e flor na cabeça, ao lado dela; e um homem jovem de terno, olhando para frente. Existem objetos de tecnologia e livros na mesa, além de um quadro com o nome 'COD3L 2.0' no centro da imagem.
Mulher com cabelo cacheado escuro, usando camiseta branca, entregando microfone para garota com cabelo trançado, usando camiseta amarela com desenhos, em ambiente de palco ou auditório com fundo preto.
Mulher usando camiseta amarela sentada em cadeiras pretas, escrevendo em um celular rosa. Background escuro, ambiente interno.
Grupo de pessoas em um palco, segurando certificados ao final de uma cerimônia, com iluminação de palco e estrutura de metal visíveis.
Pessoa jovem com óculos, camiseta amarela, segurando um microfone e um celular, em um palco com uma mesa de livros e uma lousa com imagens.

ArarA - entre Sentimentos e Palavras.

ARARA é uma aplicação de escrita criativa automatizada que integra Google Forms, Google Apps Script, Google Sheets, Google Docs e e-mail para transformar respostas estruturadas em documentos poéticos personalizados. No contexto do Laboratório Cordel 2.0, o app mostra que uma prática de escrita em ambiente educativo pode ganhar mediação pedagógica, rastreabilidade, devolutiva personalizada e baixo custo de implementação.

ARARA (Iniciação à Poética)

ARARA propõe uma experiência em que o preenchimento de um formulário deixa de ser apenas coleta de dados e se converte em matéria inicial para a criação literária. A partir de palavras, impressões e sentimentos compartilhados pelo participante, o sistema organiza elementos lexicais e devolve uma síntese pré-poética em formato de documento. O resultado não encerra a criação: ao contrário, abre uma primeira passagem para a escrita.

A força do app está em sua lógica de mediação por ressonância lexical. O sistema lê o que foi escrito, identifica campos de proximidade entre palavras e associa essas marcas a fragmentos poéticos de uma base de referência. Com isso, produz uma aproximação estética entre o que o estudante expressa e o que a linguagem literária pode devolver como eco, deslocamento ou provocação.

Do ponto de vista pedagógico, o ARARA trabalha um objetivo central: dizer um sentimento sem nomeá-lo de forma direta. Para isso, organiza substantivos, adjetivos, ambiências e relações lexicais que ajudam o participante a experimentar a linguagem como construção expressiva. Ao mesmo tempo, introduz uma reflexão sobre semântica, associação de sentido e coincidências pragmáticas entre a escrita do aluno e fragmentos da poesia brasileira.

Imagem de uma capa de livro com um pinguim colorido, um texto com a palavra 'ARARA' e uma frase que diz 'Verso vai, verso vem'. Inclui também um símbolo com o nome 'CORDEL 20' e uma faixa decorativa laranja e preta na parte superior e inferior.

ARARA é um aplicativo de escrita criativa do Laboratório Cordel 2.0 que utiliza heurísticas de Inteligência Artificial para transformar substantivos, adjetivos e ambientes cotidianos em versos autorais personalizados. (não opera estocasticamente)

Este sistema de mediação poética mostra na prática, como uma arquitetura simples pode produzir experiência educativa significativa. A partir de um formulário, o app organiza sentimentos, substantivos, adjetivos e ambientes em uma estrutura pré-poética, devolvendo ao participante um documento autoral em PDF. Para quem é da informática, o valor pedagógico está em perceber que backend, automação documental e tratamento lexical não servem apenas para eficiência: podem sustentar processos de subjetivação, expressão e letramento estético. Em outras palavras, o ARARA ensina que programar também é desenhar condições para que alguém pense, sinta e escreva melhor.

Spoof - Uma máquina para romper.

Imagem de uma menina com óculos, com metade do rosto digitalmente alterada para parecer uma interface de inteligência artificial. Texto na imagem: 'BREAKABLE MACHINE, Você consegue enganar a IA?', seguido de ícones representando educação, aprendizado de máquina, vieses e manipulação, e o logo 'CORDIAL 2.0'.

Breakable Machine (Engenharia Reversa e eXplainable AI - XAI) Este é um sistema de visão computacional que roda localmente no navegador. Seu objetivo é explorar a vulnerabilidade de classificadores (spoofing) e evidenciar o Letramento Crítico / Fragilidade do modelo.

O aplicativo utiliza mapas de calor (heatmaps) de eXplainable AI (XAI) para destacar quais features (características da imagem) estão influenciando o output da rede neural. Isso demonstra tecnicamente como ruídos de fundo ou iluminação afetam o cálculo de confiança (confidence) do classificador.

Desafiando a Visão Computacional com "Breakable Machine"

"Você consegue enganar uma Inteligência Artificial?"

Experimente porque os sistemas de IA não são perfeitos e dependem fortemente dos dados com os quais foram treinados.

Breakable Machine (Máquina rompível) Em vez de ensinar os alunos a treinar uma IA, este jogo pede que eles a "romper". Trabalhando o Letramento Crítico / Fragilidade, os estudantes descobrem que a visão computacional pode ser facilmente enganada por mudanças de luz ou cenário. O jogo revela que a alta confiança de uma máquina não significa que ela está certa, promovendo reflexões profundas sobre os riscos e implicações éticas da IA na sociedade.

De quem é a responsabilidade quando uma IA produz resultados indesejáveis ou perigosos? A IA é uma ferramenta poderosa, mas não é mágica. Ela tem limitações que precisam ser compreendidas por quem a desenvolve e por quem a utiliza.

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”
— Paulo Freire

Copyright © 2025 Nicolas Pope.

N. Pope, J. Kahila, H. Vartiainen and M. Tedre, "Children's AI Design Platform for Making and Deploying ML-Driven Apps: Design, Testing, and Development," in IEEE Transactions on Learning Technologies, doi: 10.1109/TLT.2025.3529994

GenAI - Uma máquina aprendiz.

Teachable Machine (Máquina Ensinável) Esta ferramenta permite que os alunos criem seus próprios aplicativos de reconhecimento de imagem sem saber programar. O foco aqui é a Curadoria de Dados: os alunos percebem concretamente que a máquina não "entende" o mundo, ela apenas reflete os exemplos (dados) que os humanos fornecem. Fica claro que preconceitos ou erros de uma IA nascem de dados limitados, reforçando a responsabilidade humana no processo.

Teachable Machine (Machine Learning Supervisionado) Uma aplicação focada no fluxo completo de treinamento e deploy de IA. O sistema aborda a importância da Curadoria de Dados, permitindo que o usuário insira inputs, defina classes (labels) e treine um classificador de imagens no próprio browser. O processo explicita conceitos fundamentais de aprendizado supervisionado, probabilidade e como bias (viés) é introduzido no modelo dependendo do volume e qualidade do dataset utilizado para treinamento.

Copyright © 2025 Nicolas Pope.

N. Pope, J. Kahila, H. Vartiainen and M. Tedre, "Children's AI Design Platform for Making and Deploying ML-Driven Apps: Design, Testing, and Development," in IEEE Transactions on Learning Technologies, doi: 10.1109/TLT.2025.3529994

🌵 Inanna — Proto-IA Educativa.

A Inanna é uma proto-IA educativa do Laboratório Cordel 2.0 voltada à escrita criativa, à rima e ao letramento crítico em inteligência artificial. Embora não seja uma IA generativa propriamente dita, ela foi pensada para tornar visível um dos princípios centrais das IAs atuais: a tentativa de prever a próxima palavra com base em probabilidades, padrões linguísticos e relações entre termos.

Inanna (Proto-IA Educativa do Cordel 2.0)

Como homenagem à cultura nordestina — celeiro histórico de quadras, rimas e invenção popular — a Inanna convida o participante a construir versos e a experimentar, de modo guiado, a lógica preditiva que hoje sustenta parte importante das tecnologias de linguagem. Em vez de esconder o cálculo, o app transforma esse mecanismo em objeto de aprendizagem.

Ao escrever seus versos, o participante recebe sugestões prováveis de continuação, observa padrões de rima e compara a previsão algorítmica com a criação humana. Com isso, a Inanna ajuda a compreender que sistemas computacionais podem estimar combinações plausíveis, mas não esgotam a potência estética, simbólica e territorial da linguagem popular.

Imagem de um logo com uma figura de um gato de pelúcia com olhos azuis, segurando um dispositivo com dígitos binários. Ao lado, o texto 'INANNA', seguido de 'PROTO-IA EDUCATIVA' em laranja, e uma etiqueta circular laranja com a inscrição 'CORDEL 2.0'.

Inanna (Motor de Predição de Tokens e Fonética)

Tecnicamente, a Inanna funciona como um frontend em Vanilla JavaScript e CSS, conectado a um backend em Google Apps Script por chamadas de leitura e escrita. Seu motor de predição analisa pistas lexicais, tema, coerência e terminação fonética para sugerir palavras candidatas, apoiando a composição de quadras e a visualização de padrões de rima, como AABB e ABAB. Assim, a aplicação aproxima o universo da literatura popular do funcionamento elementar das arquiteturas preditivas contemporâneas.

Inanna é um laboratório em que a lógica computacional vira objeto de aprendizagem sensível.

Do ponto de vista pedagógico, a Inanna introduz de forma acessível conceitos como probabilidade, predição de tokens, vetores de escolha, heurísticas linguísticas e estrutura de rima. Ao sugerir palavras para completar um verso, o sistema mostra como a máquina opera por ranking de possibilidades, enquanto o sujeito pode aceitar, rejeitar ou superar a previsão com sua própria invenção.

TICA - Chatbot reflexivo.

A Tica é uma aplicação de escrita guiada do Laboratório Cordel 2.0 que acompanha o participante em uma jornada de reflexão, elaboração textual e autoria. Mais do que um chatbot, a Tica funciona como uma mediadora virtual: ela conduz o usuário por trilhas de escrita, acolhe diferentes modos de presença e, ao final do percurso, devolve uma síntese acompanhada de um presente literário — como poema, bênção ou fragmento textual em ressonância com aquilo que foi escrito.

Ilustração de uma mesa com computador, livros, revistas e uma garota estudando ao lado de um quadro com uma frase de reflexão, uma personagem robô com chapéu indígena e uma pessoa mais velha com barba ao lado de um personagem robô com chapéu indígena, com o texto 'Tica Chatbot Reflexivo' e 'Perguntar para Pensar'.

Tecnicamente, a Tica é uma aplicação web serverless com frontend em HTML, CSS e JavaScript e backend em Google Apps Script. O sistema registra transcripts e etapas da experiência em Google Sheets, organiza trilhas e modos de presença e executa um mecanismo de associação lexical que compara o texto do participante com matrizes anotadas da base poética, incluindo campos como substantivos, verbos, bigramas e conjuntos de tokens. A aplicação também conta com fallbacks lógicos para manter consistência e continuidade mesmo quando não há correspondência forte no dataset.

Tica se trata de uma interface de escrita guiada que mostra como o design conversacional pode ser usado para aprofundar reflexão, e não apenas para responder perguntas.

Inspirada, ao mesmo tempo, na tradição de ELIZA e na maiêutica socrática, a Tica foi concebida não para competir com a voz do participante, mas para favorecer um movimento de escuta, aprofundamento e organização do pensamento. Sua proposta é usar a tecnologia como forma de acolhimento textual, ajudando o sujeito a sustentar uma ideia, nomear um conflito, elaborar uma cena ou amadurecer uma frase.

Nesse sentido, a Tica transforma a conversa em processo de escrita. Em vez de responder apenas com informação pronta, ela conduz o participante por um fluxo reflexivo em que cada resposta ajuda a reorganizar a seguinte. O foco não está em acertar, vencer ou produzir desempenho, mas em experimentar a linguagem como espaço de elaboração.

O sistema de Tica valida identidade, oferece modos de presença, conduz trilhas de escrita, registra percurso e devolve uma síntese final com “presente literário”. Para um técnico em informática, o app demonstra que chatbot educacional não precisa ser um simulacro genérico de assistente: ele pode funcionar como dispositivo de mediação, escuta estruturada e organização do pensamento.

O ganho pedagógico está em transformar fluxo conversacional em processo de autoria.

“Escrever é, antes de tudo, dar voz àquilo que é silenciado, é um grito que sai de dentro e ecoa no mundo”

Conceição Evaristo in Entrevista à Focus Brasil (2025)

Jornadas do Território: O Jogo da Escrita Viva

Este jogo interativo transforma a escrita criativa em uma exploração geográfica e interior. Através de uma cuidadosa Mediação / Fluxo, o aluno não apenas escreve, mas navega por um mapa interativo com diferentes biomas, sendo guiado por 5 Missões Literárias progressivas. A jornada começa no aspecto pessoal ("Despertar da Vivência") e culmina na "Inscrição Territorial da Voz", onde o estudante mescla seus sentimentos com elementos locais.

A Curadoria de Dados deste projeto brilha na sua "Biblioteca de Cordel", que oferece contato direto com poemas tradicionais brasileiros, valorizando a cultura nacional. Em vez de focar no ganho e perda (competição), o jogo utiliza a Ressonância de um sistema de pontos construtivo, onde o aluno acumula "Vivência, Imaginação e Território", culminando na exportação de sua criação literária, o que tangibiliza o aprendizado e o esforço do autor.

Capa de um jogo de tabuleiro chamado "Cordel 2.0 - Jornadas do Território" com tema de escrita e aventura na natureza, exibindo uma paisagem rural com rio, árvores e cacto, além de elementos tradicionais de cordel, como pergaminhos, pena e lanternas.

Jornadas do Território (RPG Literário 2D) Trata-se de uma aplicação web construída com uma stack leve e direta: HTML5, CSS3 e JavaScript (Vanilla), utilizando estética retro pixel art. O Mediação / Fluxo do sistema é orquestrado por event listeners no JavaScript que capturam inputs físicos (setas do teclado) e virtuais (botões na tela e cliques em diálogos) para calcular a movimentação do usuário pelo mapa interativo.

A Curadoria de Dados (neste caso, as strings dos poemas de cordel e os textos das 5 missões temáticas) é estruturada no próprio frontend, alimentando os modais e bibliotecas do jogo. O sistema possui um gerenciamento de estado interno que rastreia três variáveis principais (pontos de Vivência, Imaginação e Território). A aplicação finaliza seu ciclo enviando o output do usuário (sua jornada/texto) por e-mail. Toda essa arquitetura client-side permite que o projeto educacional seja hospedado de forma rápida, gratuita e contínua através do GitHub Pages, rodando diretamente a partir da branch main.